Do morango do amor à inteligência artificial, especialista explica por que algumas tendências desaparecem tão rápido quanto surgem — e como aproveitar essas ondas sem transformar modismos em estratégia
De repente, todo mundo quer experimentar o mesmo produto, conhecer o
mesmo destino ou usar a mesma tecnologia. O movimento tem nome: hype.
Entender como ele funciona pode ajudar empresários a aproveitar oportunidades —
e evitar decisões caras motivadas apenas pelo medo de ficar para trás.
“Hype é quando uma novidade é adotada em massa em um intervalo muito
curto. A prova social multiplica esse movimento: vemos muita gente indo em uma
direção e tendemos a acompanhá-la”, explica Matheus Mundim, economista, mestre
em Administração com foco em Marketing e Vendas e fundador da V4 Mundim &
Co., uma das maiores operações da V4 Company no país.
O morango do amor mostra a velocidade do fenômeno. Em junho de 2025,
o iFood registrou cerca de 11 mil pedidos do doce. Em julho, foram 699 mil. No
mesmo período, o número de estabelecimentos oferecendo o produto saltou de
aproximadamente 830 para mais de 10,3 mil. Em agosto, porém, os pedidos já
recuavam 14,56%.
No consumidor, esse comportamento é associado ao FOMO (fear of
missing out), o medo de ficar de fora. Nas empresas, segundo Mundim,
aparece como receio de perder uma oportunidade ou ficar atrás da concorrência.
“O hype é sempre uma promessa de atalho. E, a princípio, uma promessa que
ninguém validou.”
Quando a onda vira problema
Isso não
significa que empresas devam ignorar tendências. O risco está em confundir
aquilo que está em evidência com um negócio sustentável.
As paletas
mexicanas são outro exemplo. A Los Paleteros chegou a 102 unidades e faturou R$
72 milhões no verão de 2014, atraindo uma enxurrada de concorrentes. Em meados
de 2016, estimativa da consultoria Rizzo Franchise apontava que seis em cada
dez lojas de paletas analisadas já haviam fechado.
“Por trás de
qualquer hype há coisas que não aparecem na vitrine: margem, capital, timing de
entrada e contexto. Às vezes, o empresário acredita que encontrou uma
oportunidade quando está entrando justamente no pico da curva”, alerta Mundim.
Para ele, a
diferença está entre usar o hype como combustível de um negócio sólido ou
transformá-lo na fundação do negócio. No primeiro caso, a empresa aproveita
a onda. No segundo, pode desaparecer junto com ela.
Como separar tendência
de modismo?
Como
prever o futuro é difícil, Mundim recomenda três perguntas antes de investir em
uma novidade:
Existe
utilidade real? Ela continuará fazendo sentido
depois da euforia?
Melhora
significativamente a experiência? É capaz de mudar
hábitos?
Está
ligada a uma transformação maior? Esse, para ele, é
um dos sinais mais importantes de uma tendência consistente.
É o
caso dos alimentos proteicos, que ganharam enorme visibilidade, mas estão
inseridos em um movimento muito maior de wellness e alimentação saudável.
“Quando a novidade é manifestação de uma mudança maior de comportamento, tende
a durar porque existe uma estrutura embaixo. Quando ela é apenas a novidade em
si, ela é a onda inteira. E onda quebra.”
Testar
antes de apostar
Entre ignorar uma novidade e apostar tudo nela existe outro caminho:
experimentar, medir e aprender rápido.
É essa a lógica adotada pela Viajar Barato, empresa do setor de
turismo atendida pela V4. A companhia acompanha campanhas, acessos e respostas
dos consumidores e testa novas possibilidades quando determinado conteúdo ou
abordagem demonstra maior interesse.
“A V4 tem um papel importante justamente na experimentação. A equipe
propõe novos formatos e conteúdos alinhados às tendências e acompanha quais
conseguem gerar melhores resultados de acesso e interesse”, conta Vyvian
Teixeira, diretora de Experiência do Cliente, Marketing e Operações da Viajar
Barato.
Depois de liderar mais de 500 projetos empresariais, Mundim afirma
que a mesma lógica vale para marketing, vendas e novas tecnologias, incluindo a
inteligência artificial. “O desafio não é estar em todas as ondas, mas saber
quais podem gerar valor. Marketing, vendas, tecnologia e IA são ferramentas de
crescimento quando existe estratégia por trás. Sem isso, até a inovação mais
promissora pode virar apenas mais um hype”, conclui.



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