Casal denuncia trabalho escravo em fazenda de Novo Gama

Eles eram mantidos trancados na fazenda e não recebiam há dois meses. ‘Além do trabalho escravo ainda queria bater na gente’ denuncia o lavrador

Lavradores acharam que teriam carteira assinada por fazendeiro em Goiás. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

A Polícia Militar de Goiás resgatou, na quarta-feira (23), um casal que denuncia regime análogo à escravidão em uma fazenda de Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal. O lavrador Paulo Reis dos Santos e a esposa Arqueângela Barbosa de Souza afirmam que eram mantidos trancados e sob constante ameaça do fazendeiro. “Além do trabalho escravo, ainda queria bater na gente”, denuncia o lavrador.

Ele ligou para a polícia, que mandou um carro da PM até o local. Segundo o cabo Jorge Pereira, que atendeu à ocorrência, ao chegar à fazenda, os portões estavam trancados. "Quando ele [o lavrador] viu a viatura, começou a chorar", conta o policial.

Paulo e Arqueângela chegaram do Maranhão há pouco mais de dois meses e tinham combinado o emprego por telefone. Segundo o casal, o combinado era um salário de R$ 1.400 para cada um e que teriam registro na Carteira de Trabalho.

Porém, denunciam que não tiveram a carteira assinada nem receberam os salários relacionados aos dois meses trabalhados.

“Chegou aqui e tudo foi ao contrário, quer a gente trabalha das 5h da manhã até as 10h da noite, não tem condição. Disse que era pra ser fichado, mas não”, conta o lavrador. O homem também denuncia a precariedade do alojamento que, segundo ele, é composto por camas improvisadas e colchões sem condições de uso.

Arqueângela tem quatro filhos que ficaram no Maranhão. Ela foi para Novo Gama na esperança de poder ganhar dinheiro para mandar ajuda a eles, mas, já no primeiro mês, percebeu que o trabalho não condizia com a proposta feita por telefone. "Nós não íamos morrer de trabalhar só pra ele, só pra dar lucro pra ele”, desabafa.

Segundo a Polícia Militar, como a fazenda estava com portões trancados, não foi possível entrar na propriedade. O caso vai ser investigado pela Polícia Civil de Novo Gama e o proprietário da fazenda ainda não foi encontrado para prestar esclarecimentos.


Lavradores acharam que teriam carteira assinada por fazendeiro em Goiás. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Lavradores não tiveram a carteira assinada por fazendeiro (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Fonte: G1.

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